Há muito que a Veja vem sendo criticada por sua postura sectária. Mas este post vem comentar um caso recente e específico, de natureza tão ou mais grave que outros produzidos pela revista. Começou com uma reportagem de capa lembrando os quarenta anos da morte de Ernesto "Che" Guevara.
Este tipo de matéria é comum na imprensa. O problema é que a única conclusão aproveitável do texto é uma coisa extremamente óbvia: Che é um mito, um ídolo, um herói, uma construção imagética da esquerda. Seguindo o padrão adotado pelo semanário nos últimos anos, a matéria - assinada pelo editor internacional da revista, Diogo Schelp - abusa dos julgamentos de valor, coisa que, pelos padrões clássicos da profissão, deveria ser evitada fora dos editoriais, pelo menos na imprensa noticiosa. Ficou escancarado que o texto foi redigido de acordo com diretrizes estabelecidas anteriormente dentro da redação, visto que a apuração foi feita apenas com fontes que queimariam o filme do guerrilheiro argentino. Esta é a impressão que o texto passa, mas não foi bem assim. Foi pior.
O jornalista norte-americano Jon Lee Anderson, autor da que é considerada a melhor biografia de Che - inclusive pela própria matéria da Veja, chegou a ser procurado por Schelp. Após a resposta de Anderson, Schelp não deu mais as caras em sua caixa de entrada. A matéria acabou caindo nas mãos do consagrado repórter da New Yorker, que, espantado, enviou (e tornou pública) uma mensagem para o editor do semanário paulista. O brasileiro respondeu justificando que Anderson tinha caído no sistema anti-spam da redação (!) e que o norte-americano usava métodos antiéticos (?!?). Foi a deixa para que o veterano Anderson pulverizasse o jovem repórter numa tréplica.
Na última edição da revista, mais um golpe, talvez a maior de todas as sacanagens:
O jornalista norte-americano Jon Lee Anderson, autor da que é considerada a melhor biografia de Che - inclusive pela própria matéria da Veja, chegou a ser procurado por Schelp. Após a resposta de Anderson, Schelp não deu mais as caras em sua caixa de entrada. A matéria acabou caindo nas mãos do consagrado repórter da New Yorker, que, espantado, enviou (e tornou pública) uma mensagem para o editor do semanário paulista. O brasileiro respondeu justificando que Anderson tinha caído no sistema anti-spam da redação (!) e que o norte-americano usava métodos antiéticos (?!?). Foi a deixa para que o veterano Anderson pulverizasse o jovem repórter numa tréplica.
Na última edição da revista, mais um golpe, talvez a maior de todas as sacanagens:
A revista produziu um box com trechos da biografia escrita por Jon Lee Anderson, selecionando só partes que produzissem no leitor a pior imagem possível de Ernesto Guevara, como se o argentino fosse um monstro, um demônio, não um ser humano como outro qualquer. A revista criticou a construção imagética dos marxistas, mas fez o mesmo, tocando a figura para o extremo oposto, num uso claro dos padrões de manipulação da grande imprensa descritos por Perseu Abramo. Como cereja do bolo, a (des)qualificação no título do box.Veja é uma revista de extrema-direita. E tem todo o direito de defender quaisquer posições, mas sem fazer sacanagens com o público. Para efeito comparativo, podemos ler a reportagem da mesma revista feita por Dorrit Harazim em 1997, motivada pelos trinta anos da morte de Che. A queda de qualidade da revista é gritante.
Temos no carro-chefe da editora Abril uma revista que vive do nome contstruído no passado. Já foi uma revista de alto gabarito, fazendo reportagens de ótimo nível, inclusive e principalmente durante o regime militar (o que pode ser verificado no arquivo do próprio site da Veja), mas hoje não vale o preço cobrado em banca. Contribui apenas para o maior acirramento de ânimos ideológicos desde o período pré-1964. É uma pena.
2 mensagens:
o foda é que a maioria das pessoas com capacidade de ler e compreender o texto, se informa pela veja...
Abaixo à maior revista de burguês fdp do país!
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